Tarifa do gás natural em SC aumentará 40% a partir de julho; veja os setores afetados

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Tarifa do gás natural em SC aumentará 40% a partir de julho e deve impactar setores industriais e transporte – Foto: Divulgação/ND

A tarifa do gás natural terá reajuste médio de 40,98% em Santa Catarina a partir do próximo sábado, 2 de julho. A informação foi confirmada nesta terça-feira (28). A alta deve afetar desde a indústria até o transporte veicular.

Para a indústria catarinense, a tarifa do gás natural será elevada em 41,05%. Com mais essa alta, o setor acumula aumento de mais de 130% desde o começo do ano passado.

Segundo a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), o combustível é um dos principais componentes para alguns segmentos industriais, como cerâmico, têxtil e metalúrgico, variando entre 20% e 30% nos custos de produção.

A nova alta não só deve afetar diretamente os consumidores como a própria competitividade dessas empresas frente à concorrência internacional.

“Para o custo total de fabricação significa cerca de 14% de aumento. Além disso, estamos num ambiente inflacionário de outros fatores como fretes e salários. A inflação como um todo está muito elevada então prejudica muita a competitividade em Santa Catarina, especialmente, em relação a São Paulo, onde não está havendo esse reajuste”, explica o presidente da Câmara de Assuntos de Energia da Fiesc, Otmar Müller.

Além da indústria, o aumento do preço também vai afetar outros segmentos. No residencial, o reajuste será de aproximadamente 30%; no comercial, o impacto é ainda maior, cerca de 33% e no gás natural veicular, usado por motoristas de aplicativo, a alta passa dos 40%.

Fatores para o reajuste

“A principal causa desse aumento é a não concretização do mercado livre do gás”, afirma o presidente da Câmara, Otmar Müller.

“A lei foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2020 e promulgada pela Presidência da República há mais de um ano e meio. Só que a medida não foi regulamentada pelas agências reguladoras, especialmente a Agência Nacional de Petróleo [ANP] e o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]. Sem a regulamentação da lei não, não foi possível implantar o mercado livre do gás, permanecendo o monopólio da Petrobras”, acrescenta Müller.

O presidente da Câmara de Energia da Fiesc cita também a desvalorização cambial brasileira.

“E a pá de cal foi a mudança da base de preço da Petrobras, aumentando em torno de 60% nos novos contratos de gás. A estatal só conseguiu impor isso às distribuidoras do Sul do Brasil em função da ausência da regulação do mercado livre de gás. É um abuso do poder de monopólio, que foi denunciado ao Cade”, acrescenta Müller.

SC Gás projeta redução

A SC Gás alega que o repasse feito semestralmente tem como base o preço do mercado internacional e a variação de câmbio.

“Esse aumento de agora é parte da avaliação do petróleo, do câmbio desse período de um semestre, mas uma parte advém justamente do fim dos efeitos de uma liminar que perdurou entre 1º de janeiro e 30 de abril. Esses efeitos devem durar até dezembro e já a partir de janeiro de 2023 a gente inicia um ciclo de redução consistente dos preços de gás”, projetou o presidente da SC Gás, Willian Lehmkuhl.

“Precisamos sobreviver ao 2º semestre de 2022”, acrescentou Lehmkuhl, referindo-se ao período mais elevado do valor do insumo no período.

Associação repudia aumentos

Por mais de uma década, Santa Catarina foi o Estado brasileiro com a tarifa de gás natural mais barata do país, mas desde 2019 tem perdido competitividade. Hoje, entre os 20 Estados que operam com o produto, Santa Catarina figura entre os 10 menos competitivos.

A Argas, associação que representa mais de três mil empresas revendedoras de GLP (Gás liquefeito de petróleo) em Santa Catarina, repudiou os sucessivos aumentos praticados pela Petrobras.

“Cada aumento no diesel ou mesmo na gasolina reflete um impacto dentro da composição de custos das nossas empresas. Não tem como a revenda absorver esse aumento e não poder repassar isso ao cliente. As revendas de Santa Catarina são contra esses sucessivos aumentos principalmente, dentro de um período de crise”, aponta Mauro Goedert, secretário Executivo da Argas.

*Com informações do repórter Luan Vosnhak da NDTV