Florianópolis contrata agência para apurar suposto vazamento de esgoto na Lagoa da Conceição

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Suposto vazamento de esgoto Lagoa da Conceição é apurado na pela Prefeitura de Florianópolis – Foto: Bruno Negri/Reprodução/ND

A Prefeitura de Florianópolis contratou a Aresc (Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina) para apurar o suposto vazamento de esgoto numa área de mata que desemboca na Lagoa da Conceição, nesta segunda-feira (17).

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) acompanham o caso. Ainda conforme a Prefeitura, as equipes do grupo Sanear (Ambiental Engenharia e Treinamentos) e da Floram estiveram no local e realizaram uma vistoria.

Um relatório de inspeção da visita foi encaminhado para a Aresc, que irá investigar o que aconteceu e avaliar o desempenho operacional da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento).

A denúncia do caso veio através da publicação do presidente da Amola (Associação de Moradores da Lagoa da Conceição), Bruno Negri, que postou vídeos mostrando o incidente, na rua do Ipê Roxo, na Lagoa da Conceição.

 

Segundo o presidente da associação, a Casan teria fechado o extravasor da estação elevatória — dispositivo de segurança que serve para escoar grandes volumes de materiais que se acumulam na rede de esgoto —, o que foi negado pela Casan.

“A Casan informa que não houve qualquer problema no sistema de bombeamento ou rompimento de rede no Sistema de Esgotamento Sanitário da Lagoa da Conceição e que a elevação do nível em um Poço de Visita no local foi identificado e solucionado no mesmo dia”, diz a companhia em nota.

Conforme Negri, no local de vazamento teria sido colocada uma emenda de 5o centímetros para evitar novos vazamentos, o que seria, segundo ele, ineficaz.

Casan diz que caso ocorreu devido a alto volume de chuvas – Foto: Casan/Divulgação/NDCasan diz que caso ocorreu devido a alto volume de chuvas – Foto: Casan/Divulgação/ND

A Casan, no entanto, afirmou que o episódio ocorreu devido “aos altos volumes de chuva nos últimos cinco dias, associados à grande presença de detritos e materiais na rede coletora de esgotos”.

A autarquia informou que estão sendo adotadas novas medidas para melhor operação do sistema de esgoto neste ponto, mas não especificou quais seriam.

“A Casan informa ainda que trabalha para colocar em prática uma nova edição do Programa Trato pela Lagoa, com o objetivo de reduzir o impacto de ligações irregulares, prática que compromete o bom funcionamento da estrutura de saneamento.”

“Corrosão da saúde da Lagoa da Conceição”

O biólogo e professor dos cursos de pós-graduação em Ecologia e Oceanografia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Paulo Horta, alerta que o episódio contribui um pouco mais para a corrosão da saúde da Lagoa da Conceição.

Com a liberação de esgoto, houve a descarga de matéria orgânica e patógenos, bactérias e vírus. Assim, é preciso que haja uma sinalização das áreas adjacentes alertando para interdição.

“Por precaução, essas áreas não podem ser utilizadas, até que tenhamos laudo indicando a segurança”, reforça o professor.

Horta diz também que o funcionário, que aparece em um dos vídeos gravados por Negri, deveria estar estar utilizando complementação importante dos EPIs (Equipamento de Proteção Individual), devido à exposição a micro-organismos.

 

Em relação às chuvas, o pesquisador destaca que é necessária a criação de planos de contingência. “Para chuva temos previsões e alertas, que precisam orientar planos de contingência e o desenvolvimento de melhorias e redundâncias que elevem a segurança do sistema.”

Sobre as causas do vazamento, o professor levanta a hipótese de ter sido a bomba que deixou de funcionar, ou teve algum mau funcionamento. “O fato é que deixou de funcionar por um período”, o que pode caracterizar uma falha no sistema.

O que pode ser feito

Paulo Horta acredita que o sistema de bombeamento precisa ser aprimorado. Se uma bomba deixar de funcionar, por exemplo, outra deve ser acionada automaticamente, o que deve ser ligado a um gerador.

“O volume precisa ser redimensionado em função das mudanças climáticas, da pluviosidade, do dimensionamento que pode ser feito, a partir da análise do cenário, por exemplo, desse extravasamento. Então, é importante que esse cálculo seja feito e o sistema redimensionado”, reforça o professor.

Em função desse redimensionamento, ele aponta a possibilidade, ainda, da construção de uma caixa de contenção com esse eventual volume, que garanta um sistema que, de fato, consiga conter um possível extravasamento.

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