Defensoria diz que 11 de 55 presos mortos em massacre de Manaus não haviam sido julgados

Segundo defensor, maioria de presos tinha atestado de cumprimento de pena e indicativo de liberação do sistema a partir de 2022.

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Familiares de detentos mortos no massacre aguardam liberação dos corpos no Instituto Médico Legal (IML); até o fim da manhã apenas 16 tinham sido liberados — Foto: Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo

A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) disse à GloboNews que havia 11 presos provisórios no grupo de 55 detentos mortos durante o massacre em quatro cadeias de Manaus, ocorrido entre domingo (26) e segunda-feira (27). Outros 16 já estavam condenados, e 28 eram reincidentes.

O defensor geral Rafael Barbosa explicou que foi feita uma análise processual dos detentos mortos (veja lista com todos os nomes mais abaixo).

“Os presos [que foram mortos em 2019] estavam, realmente, com os processos em dia, com andamento atualizado, a maioria com atestado de cumprimento de pena, indicativo de que só seriam liberados em 2022 [ou] 2023. Todavia, é claro que a gente também encontra presos provisórios e é uma preocupação, porque o preso provisório ainda não foi condenado, pode ser absolvido no final do processo e ele não deveria estar no mesmo lugar que os presos definitivos”, disse o defensor público.

Novo massacre

A maioria das 55 vítimas do massacre desta semana morreu de asfixia ou golpeada por objeto perfurante. Até esta terça-feira, 16 corpos haviam sido liberados. Familiares reclamam da demora. O massacre é o segundo ocorrido no Amazonas em menos de 3 anos.

O juiz Glen Machado, titular da Vara de Execução Penal, disse que os novos confrontos ocorreram por causa de uma briga de poder dentro da Família do Norte (FDN), que age nos presídios do Norte e Nordeste do país e domina a rota do tráfico no rio Solimões. “Não se trata de rebelião, mas de disputa interna da FDN”, disse o juiz.

A Polícia Civil abriu um inquérito para identificar os mandantes e apurar os motivos da matança. Nesta terça, nove presos envolvidos nos crimes foram transferidos para presídios federais. Três deles foram levados para a Penitenciária Federal de Brasília. Outros seis foram para Catanduvas, no Paraná. A previsão é que novas transferências ocorram nesta quarta.

Na noite desta terça, chegou ao estado o grupo da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), que ficará por 90 dias dentro das unidades onde ocorreram os conflitos.

Veja a lista de detentos mortos nas prisões nesta semana:

Ancelmo Pereira dos Santos
Antonio Xavier da Silva Camargo Filho
Cleison Silva do Nascimento
Edney Sandro Sabóia de Vasconcelos
Elisson de Oliveira Pena
Erick Weslley Martins Mendes
Fernando dos Santos Ferreira
Francisco de Assis Marcelo da Silva
Hiel Lucas Miranda da Silva
Igor Peres de Oliveira
Leonardo Queiroz Campelo
Naelson Picanço de Oliveira
Nayan Serrão Pereira
Pedro Paulo Melo Xavier
Rodrigo Oliveira Pimentel
Michael Nogueira Fernandes
Leonardo Marinho Araújo
Marciley Salgado Guimaraes
Rafael da Silva Ferreira
Ivonei Basilio de Souza
Jonathan de Oliveira Procopio
Allison Fontoura Silva
Bruno de Oliveira Araujo
Sergio Augusto da Silva Batista
Andre Silva Domingos
Andre Henrique Bastos dos Santos
Guilherme Ferreira Coelho
Fabio Silva Maciel
Ivanilson Calheiro Amorim
Paulo da Silva Oliveira
Gabriel Ilario Lopes de Jesus
Alexandre da Silva Moraes
Thiago Moreira Lima
Luiz Mario Martins Figueira
William Willer Souza de Souza
Marcos Railson da Encarnaçao Coutinho
Ernandes da Silva Oliveira
Hayloan da Silva Timoteo
Moises Silva da Silva
Jeferson de Oliveira Brandao
Bruno Borges Gonçalves
Elder Araujo Costa
Thiago Paiva Amancio
Demerson Evandro Santos da Silva
Fabio Queiroz Ferreira
Lucas Vieira Cavalcante
Diego Sabino de Araujo
Jairo Alves de Figueiredo
Luan de Lima Soares
Anderson Barros de Oliveira
John Wagner Souza da Silva
Orlamildo de Souza Alves Galeria
Robson Rodrigues de Lima
Pablo Roberto Nascimento Ferreira da Silva
Emerson Matheus Pinto da Silva

Fonte: G1

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